A P R E S E N T A Ç Ã O | Teatro de Santa Isabel | Joacir Castro

A Apacepe saúda os 160 anos
do Teatro de Santa Isabel

Um Teatro para Santa Isabel. O Governo da província decidiu investir recursos na atividade cultural: ‘Torna-se bastante sensível, senhores, nesta rica e populosa cidade, a falta de um theatro público que ofereça aos seus habitantes uma lícita e honesta distração’, declarou o governador Rego Barros, à época. Assim sendo, o Teatro de Santa Isabel, em homenagem à Princesa e doado à Santa, começou a ser erguido em 1841, com projeto do engenheiro francês Louis Léger Vauthier. Inaugurado em 1850, o popularmente chamado Teatro Novo, passou a exercer o lugar de destaque do Recife, servindo de palco para os grandes eventos político-sociais e apresentações de espetáculos nacionais e estrangeiros”.*

Passados 160 anos, o Teatro de Santa Isabel continua sendo o principal monumento das artes e da cultura pernambucanas, abrigando o Janeiro de Grandes Espetáculos desde a sua primeira versão. Em 2010, o evento presta uma justa homenagem a este teatro que tornou-se o seu principal abrigo.


Foto | Fred Jordão

* Texto extraído do livro O Recife – histórias de uma cidade, de Antônio Paulo Resende, publicado pela Prefeitura do Recife, Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura Cidade do Recife em 2002.

 

 

Joacir Castro: um artista solidário

Este homem doou-se ao teatro como se convidado fôra por Baco a aceitá-lo, assumindo, com prazer, uma vida que gira em torno de sua labuta teatral. Protegido também por Dioniso, Joacir Castro tornou-se um artista plural na arte de representar e um ser grandioso no teatro que escolheu para praticar.
Hoje, várias décadas depois de se tornar artista e de fazer-se notável na sua arte, quer dirigindo, escrevendo ou interpretando, o Janeiro de Grandes Espetáculos o homenageia, merecidamente, lembrando às gerações de agora que o teatro praticado por Joacir teve e sempre terá como meta elevar o ser humano à sua potência maior: um ser livre e gestor de suas próprias vontades. Por isso o teatro construído pelas mãos e pela mente de Joacir tem fundamentalmente um veio libertador, fazendo de sua arte um instrumento concreto de transformação.

 


Joacir Castro no espetáculo O inspetor, pelo Teatro Popular do Nordeste. Foto: Arquivo Projeto Memórias da Cena Pernambucana.

Participar de movimentos artísticos como o Teatro Popular do Nordeste – TPN – e políticos como o Movimento de Cultura Popular – MCP –, foi determinante na vida cênica deste homem que destinou grande parte de sua existência a levar teatro ao povo do interior, basicamente a moradores de vilarejos e povoados da zona rural ou comunidades de pescadores do litoral pernambucano, numa demonstração de solidariedade e grandeza artística que o irmana também em atitude ao saudoso Augusto Boal.
Nos cinco espetáculos que atuou no TPN entre 1966 e 1967 (O inspetor geral, de Gogol; O cabo fanfarrão, de Hermilo Borba Filho; Um inimigo do povo, de Ibsen; O santo inquérito, de Dias Gomes e Antígona, de Sófocles), percebe-se o espírito engajado às causas populares que abraçou desde muito jovem e que mantém firme ainda hoje em seus ideais artísticos.
Recifense, geminiano do dia 19 de junho, Joacir da Silva Castro divide o seu tempo entre a Ilha de Itamaracá e Recife, e é um dos poucos artistas que sempre desempenhou o seu ofício como mestre e operário (ao mesmo tempo), com a simplicidade que os Deuses só consentem aos verdadeiramente sábios.
E como ele sabe bem viver e aproveitar os prazeres da vida! É isso que o faz um ser bonito, agradável, divertido e companheiro para todas as horas, desses que a gente quer ter sempre por perto.
No mais, peço a todos que se juntem a mim no caloroso e sincero aplauso a este solidário homem de teatro chamado Joacir Castro.

Romildo Moreira
Ator, autor e diretor de teatro.

 

 

 

 

 

 

 

 


Homenagem aos
160 anos do Teatro de Santa Isabel
e a Joacir Castro




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