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Janela Portuguesa
Celebração dos 45 anos do Comuna Teatro de Pesquisa

Em seu caráter internacional, o JGE recebe produções portuguesas que vêm das cidades de Lisboa e Valongo. Com destaque aos 45 anos de atuação do grupo Comuna Teatro de Pesquisa, dirigido pelo multiartista e professor João Mota e que começa pelo Brasil esta celebração, três dos seus espetáculos permeiam a programação, além de duas oficinas. Obras do lisboense Paulo Lage e do pernambucano radicado em Portugal, Júnior Sampaio, do ENTREtanto TEATRO, complementam nossa grade portuguesa.

Esta parceria com Portugal é fruto também de um projeto aprovado pela Companhia Circo Godot de Teatro, do Recife, em edital de intercâmbio e difusão cultural do Ministério da Cultura, o “Projeto Godot in Comuna” (2014), residência artística para três de seus integrantes por três meses de visita às cidades do medievo lusitano, no intuito de acompanhar a rotina de produção, criação e formação da Comuna Teatro de Pesquisa, a mais longeva equipe teatral portuguesa com atividade ininterrupta há 45 anos.

Programação:

Depoimento dos integrantes da Companhia Circo Godot de Teatro (Ana Paula Sá, Andrêzza Alves e Quiercles Santana), facilitadores desta nossa parceria com Portugal:

Sobre o projeto:

De início, a residência artística aprovada pela Companhia Circo Godot de Teatro no Edital de Intercâmbio e Difusão Cultural (2014) do Ministério da Cultura, sob o título “Projeto Godot in Comuna”, visava recolher material iconográfico e escrito sobre:

  1. O período medieval;
  2. O desenvolvimento artístico de uma companhia que atua há mais de quatro décadas, a Comuna Teatro de Pesquisa, de Lisboa, Portugal.

Objetivava também o registro (em fotos, vídeo e textos) de todo o processo e a reciclagem prática dos integrantes da Companhia Circo Godot de Teatro ao acompanhar processos criativos e participar de oficinas. Este conjunto de experiências seria revertido (já no Brasil) em um espetáculo de teatro através do qual iria se tratar desta “nova idade média” que o mundo contemporâneo parece mergulhar, e também investigar múltiplas possibilidades de escrita, linguagem e atuação ao tratar de tema urgente aos nossos dias.

No entanto, ao longo do percurso, novas cores e formas nos foram apresentadas, novas perspectivas conhecidas e um mundo de possibilidades se abriu. Diante dos inúmeros caminhos, o espetáculo não mais pareceu um "fim” urgente e a poesia nos levou para a necessidade de elaborar criticamente toda aquela vivência. Deste modo, a formação e a continuidade das pesquisas, postas no projeto inicial como contrapartida ao MINC, ganhou maior valor, gerando novos desdobramentos sequer imaginados no início da residência, tal como nossa participação no Janeiro de Grandes Espetáculos 2016 com a fala “Godot in Comuna: A Poesia do Percurso”, sobre a residência, bem como no V Congresso Internacional SESC de Arte/Educação.

E neste fluxo seguimos até chegarmos a este 23º JGE, numa bela parceria através da qual conseguimos concretizar a vinda da Comuna ao Recife com três espetáculos e duas oficinas, num ano em que a companhia comemora 45 anos de atividades ininterruptas. Se, quando, ou como haverá espetáculo nosso ainda não sabemos, mas já temos a certeza de que os frutos nascidos e vindouros da residência plantada em 2015 já são muito mais abundantes do que poderíamos supor no início desta história.

Ana Paula Sá, Andrêzza Alves e Quiercles Santana

Companhia Circo Godot de Teatro

Crédito: Luís Vasco